Crítica | Estômago 2 – O Poderoso Chef (2024)

Um épico italo-brasileiro digno dos grandes filmes de Hollywood

Por Stéphane Maire ⭐ 4,0 / 5
Cena do filme Estômago 2 – O Poderoso Chef - Crítica Querofilme
Após quase duas décadas do filme original, Estômago II: O Poderoso Chef retorna ao universo onde gastronomia e poder caminham lado a lado. A trama acompanha novamente Raimundo Nonato no ambiente carcerário, agora diante da presença imponente de Don Caroglio, um mafioso italiano que rapidamente altera a hierarquia da prisão através de influência, estratégia e culinária refinada.

O longa se destacou no Festival de Gramado ao conquistar o maior número de prêmios da edição, incluindo melhor roteiro, direção de arte, trilha sonora, ator (dividido entre João Miguel e Nicola Siri) e o prêmio do júri popular.
Cena do filme Estômago 2 – O Poderoso Chef - Crítica Querofilme
O roteiro se estrutura em duas linhas temporais bem definidas: uma situada no presente, dentro da prisão, e outra no passado, revelando a trajetória de Don Caroglio antes de sua chegada ao Brasil.

Essa construção paralela enriquece a narrativa, adicionando camadas ao personagem e aprofundando o jogo psicológico e estratégico que move a história.

A direção é excelente e demonstra total controle da mise-en-scène. Os enquadramentos são calculados, os movimentos de câmera valorizam a tensão dramática e a construção visual reforça constantemente a temática de poder e hierarquia.

Há referências claras a O Poderoso Chefão, tanto na estética quanto na abordagem do poder silencioso e da autoridade construída através da presença e do respeito imposto. No entanto, o filme evita a simples imitação e utiliza essas influências como base para criar identidade própria.

O grande destaque da sequência é, sem dúvida, Nicola Siri, que assume o protagonismo da narrativa. Sua atuação é marcante, contida e estratégica. Don Caroglio é um personagem que domina o ambiente sem precisar elevar a voz, e Siri traduz essa autoridade com precisão, tornando-se o eixo dramático do filme.

O principal problema do roteiro está na ausência de explicação clara sobre como Don Caroglio chegou à prisão no Brasil.
Foi uma prisão circunstancial? Uma estratégia deliberada para ampliar seu acesso ao tráfico e às redes criminosas? Ou uma parte da história que ficou fora da montagem final?

Essa lacuna narrativa gera ambiguidade interessante, mas também deixa uma sensação de incompletude que impede o filme de alcançar uma nota ainda mais alta.

Vale a pena assistir?

Estômago II: O Poderoso Chef é um filme com excelente roteiro, esteticamente elegante e conduzido por uma direção segura e sofisticada. A estrutura em duas linhas do tempo funciona, as atuações são fortes e a atmosfera é envolvente.

A obra apenas não alcança um patamar superior devido à falta de esclarecimento sobre a chegada de Don Caroglio à prisão, um detalhe que poderia ter elevado ainda mais o impacto dramático da narrativa.
Avatar

Stéphane Maire

Fundador do Querofilme e apaixonado pela sétima arte. Não vejo filmes por profissão, mas por amor ao cinema. Amo discutir cada detalhe de uma boa trama, especialmente as que envolvem ficção científica.