Crítica | Justiça Artificial (2026)

Quando a inteligência artificial decide quem é culpado

Por Stéphane Maire ⭐ 3,0 / 5
Cena do filme Justiça Artificial - Crítica Querofilme
Em Justiça Artificial, acompanhamos Chris Raven, um detetive que se torna o principal suspeito do assassinato de sua própria esposa. Em um futuro próximo, a justiça passou a contar com um sistema avançado de inteligência artificial chamado Mercy, capaz de analisar enormes quantidades de dados, desde registros digitais até imagens e comunicações, para determinar a probabilidade de culpa de um suspeito.

A premissa do filme é interessante e bastante atual. A ideia de uma justiça automatizada, apoiada por inteligência artificial que cruza informações armazenadas na nuvem e em diversos bancos de dados, abre espaço para discussões relevantes sobre tecnologia, vigilância e o risco de confiar decisões humanas a algoritmos. As sequências que mostram o sistema analisando dados e reconstruindo eventos são, sem dúvida, alguns dos momentos mais interessantes da produção.

No entanto, apesar do bom ponto de partida, o roteiro apresenta problemas claros de desenvolvimento. A investigação sacrifica parte de sua lógica para acelerar a narrativa, e algumas situações acabam parecendo forçadas. Há também lacunas na história: certos elementos importantes não recebem explicações suficientes, como os detalhes do assassinato que desencadeia toda a trama. O filme revela quem é o responsável, mas não mostra claramente como o crime aconteceu, deixando algumas perguntas sem resposta.
Cena do filme Justiça Artificial - Crítica Querofilme
No elenco, Chris Pratt assume o papel principal, mas sua atuação não chega a se destacar de forma marcante. Já Rebecca Ferguson, que interpreta o sistema de inteligência artificial responsável por conduzir o julgamento, acaba chamando mais atenção e roubando algumas das melhores cenas do filme.

Outro ponto que pesa contra o longa é o ritmo do terceiro ato. O início constrói um certo suspense em torno da investigação e do funcionamento do sistema Mercy, mas a resolução acontece rápido demais, como se o filme precisasse correr para chegar ao final. Algumas reviravoltas surgem de forma abrupta, e determinadas situações acabam parecendo pouco plausíveis na vida real, especialmente a ideia de que certos acontecimentos complexos possam ser coordenados e executados em tão pouco tempo.

No fim das contas, Justiça Artificial apresenta um conceito interessante, mas que não é explorado com toda a profundidade que poderia. O filme até lembra outras obras que abordam tecnologia e análise de crimes, como Minority Report: A Nova Lei (2002), mas está bem longe de alcançar o mesmo impacto ou o mesmo nível de construção narrativa.

Vale a pena assistir?

Justiça Artificial é um thriller razoável, que pode agradar quem gosta de histórias envolvendo tecnologia e inteligência artificial. Ainda assim, trata-se de um filme apenas mediano, com boas ideias, mas uma execução irregular e um desfecho apressado. Para quem procura algo mais marcante dentro desse tema, existem produções muito mais fortes no gênero.
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Stéphane Maire

Fundador do Querofilme e apaixonado pela sétima arte. Não vejo filmes por profissão, mas por amor ao cinema. Amo discutir cada detalhe de uma boa trama, especialmente as que envolvem ficção científica.