Crítica | Matar. Vingar. Repetir (2025)

Uma ideia simples, explorada de forma surpreendentemente eficaz

Por Stéphane Maire ⭐ 4,0 / 5
Cena do filme Matar. Vingar. Repetir - Crítica Querofilme
Após a morte brutal da filha, Irene descobre uma forma de atravessar universos paralelos. Em cada realidade, ela persegue o mesmo assassino, movida por uma dor que parece não ter fim. Mas essa jornada de vingança acaba revelando consequências muito mais profundas do que simplesmente repetir o mesmo ato em diferentes mundos.

Matar. Vingar. Repetir trabalha uma ideia simples — a possibilidade de atravessar universos paralelos em busca de vingança — e consegue desenvolvê-la de forma surpreendentemente eficaz. Em vez de apostar em grandes efeitos especiais ou em uma produção grandiosa, o filme se apoia em um conceito forte e em uma narrativa bem conduzida.
Cena do filme Matar. Vingar. Repetir - Crítica Querofilme
Como um thriller de ficção científica independente, o longa aposta mais na tensão emocional e psicológica do que em espetáculo visual. O foco não está em explicar cada detalhe do funcionamento dos universos paralelos, mas sim nas consequências humanas dessa obsessão. É justamente nesse ponto que o filme se destaca: na forma como explora o peso do luto, da culpa e da obsessão por justiça.

O resultado é um drama intenso, que em diversos momentos consegue prender completamente a atenção do espectador. Há cenas em que a tensão é tão forte que é difícil desviar o olhar da tela. O filme mantém um ritmo envolvente e constrói sua atmosfera de forma eficaz, conduzindo o público por uma jornada emocional cada vez mais pesada.

Outro aspecto interessante é que, ao assistir ao trailer, pode parecer que Matar. Vingar. Repetir será apenas uma sequência de assassinatos repetidos em diferentes universos. Felizmente, o filme vai muito além disso. A história se revela muito mais rica e emocional do que essa premissa inicial sugere, explorando as consequências psicológicas da jornada de Irene e o impacto dessa obsessão.
Cena do filme Matar. Vingar. Repetir - Crítica Querofilme
Entre os destaques do elenco está Stella Marcus, no papel de Mia. A atriz entrega uma atuação surpreendente, especialmente considerando que este é seu primeiro papel em um longa-metragem e que ela tinha pouca experiência no cinema. Sua performance traz uma sensibilidade importante para a história, adicionando uma camada emocional que contrasta com o lado cada vez mais sombrio de Irene. Essa dinâmica ajuda a equilibrar o tom do filme e reforça o impacto dramático da narrativa.

E quando a história finalmente chega ao seu desfecho, fica claro que o filme construiu tudo com muito cuidado. O final é forte, coerente e emocionalmente poderoso — dificilmente poderia ser melhor dentro da proposta da história.

Vale a pena assistir?

Matar. Vingar. Repetir (Redux Redux) é um excelente drama de ficção científica, que prova que uma ideia original bem explorada pode ser muito mais impactante do que grandes efeitos especiais. Para quem gosta de thrillers inteligentes e emocionais, é um filme que realmente vale a pena assistir.
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Stéphane Maire

Fundador do Querofilme e apaixonado pela sétima arte. Não vejo filmes por profissão, mas por amor ao cinema. Amo discutir cada detalhe de uma boa trama, especialmente as que envolvem ficção científica.