
“Ser ou não ser? Eis a questão!” foi uma frase escrita por William Shakespeare para a tragédia de Hamlet e, até hoje, é modificada e usada em vários contextos diferentes (e bota diferente nisso). E aqui, nesse filme, podemos alterá-la para “Existir ou não existir? Eis a questão!”. Já que “Toy Story 5” (2026) traz a continuação de uma saga consagrada no cinema de animação, com a proposta de dar o protagonismo não para Woddy, mas sim para Jessy, que, junto com os outros brinquedos de Bonnie, tem que enfrentar a era da tecnologia que assola o mundo de todos os brinquedos.
Algo que me chama muito a atenção é o tema que o filme quer tratar. Sendo um assunto atual, fica a dúvida se vão fazer isso pelo caminho certo. E, nesse ponto, a produção não deixa a desejar. Mas, como tudo no mundo, há o lado bom e o lado ruim. Dá para sentir um certo cansaço depois de 5 capítulos, sabendo que poderia ter sido encerrado no terceiro, mas ainda há muito o que falar. O primeiro ponto a ser elogiado é a direção, o roteiro e o enredo. Além da proposta de brinquedos contra tecnologia, temos o fechamento da história da Jessy, iniciada em “Toy Story 2” e deixada de lado posteriormente.

No início, já fica bem claro que a história segue o formato Pixar do começo ao fim (e não tenta ser um filme de finalização, mesmo com o enredo da Jessy), porque aqui, meus amigos, temos uma surpresa depois de alguns anos bem fracos para a Disney-Pixar. A direção investe em trazer cenas dramáticas, engraçadas e, de certa maneira, empolgantes. Como, por exemplo, lá para o final do filme, quando o exército de Buzz traz uma resolução para um problema de forma bem épica. O roteiro é muito bem escrito: cada personagem principal tem seu carisma, e os secundários acabam ficando quase como terciários, o que, comparando aos outros filmes, me deu uma sensação bem estranha. Um destaque vai para Lilipad, a vilã, que é bem carismática e ameaçadora.
Mas o principal ponto negativo desse filme é: não necessitávamos de mais um capítulo. Não se engane, o filme é ótimo, só que, depois de um tempo processando, ele me deu a sensação de que essa fórmula já estava ficando desgastada e repetitiva, sendo um final de saga bem “meia boca”, caso essa fosse a intenção — quando poderíamos ter parado há dois filmes atrás, contando com este. Os personagens, como dito anteriormente, são bem desenvolvidos, mas não vá esperando uma nova aventura de Woddy e Buzz, nem o mesmo carisma vindo dos personagens secundários, que não têm momentos marcantes como o Sr. Cabeça de Batata, que era um personagem icônico nos originais. Aqui, não há nenhum momento que me venha à memória nesse nível. Ainda assim, vale destacar o trabalho dos dubladores desses personagens aqui no Brasil.
Vale a pena assistir?

Em resumo, o filme entrega o que promete com maestria, mas deixa claro que, se a Disney e a Pixar forem gananciosas, podem acabar estragando essa saga tão amada. Lembra a pergunta que eu fiz no início? A resposta é muito simples: “Não existir!”. Mas, já que existe, vale muito a pena assistir.
